segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Pichação que é um ataque

Quem acompanha o Sai na Urina sabe que recentemente enviei uma reportagem para o Jornal O Globo com a foto de uma pichação de um muro aqui perto de casa. A pichação foi realizada por fundamentalistas religiosos com o objetivo de demonizar as pessoas que realizam oferendas e/ou acendem velas para seus santos, seus deuses e/ou seus orixás. E não é que publicaram a matéria!? Sim, publicada no Caderno Baixada, do dia 14.08.2010:

Pois então estou compartilhando com vocês mais uma participação minha na sessão Eu-Repórter, do Jornal o Globo. A tempo, se você leu a matéria anterior aqui no Sai na Urina, faça a linha blasé e ignore meu erro de ortografia quando escrevi "pixação" (com 'x') em vez de "pichação" (com 'ch'). Ninguém é perfeito, não é? Mancada de vez em quando faz bem. E não vou alterar a ortografia, não. Foi por uma boa causa. Deixa lá estar como está; é história!

Enfim, estou compartilhando com você o exercício da minha cidadania - ou xisdadania - que pegou carona no erro ortográfico para corrigir os erros morais do fundamentalismo religioso. A resposta da Prefeitura já era esperada: passou a bola para o Governo do Estado. Mas poluição visual não seria problema da prefeitura!? Ou não é esse o motivo que faz com que os estabelecimentos tenham padrões em suas placas, tal como outdoors e outros cartazes? Ou ainda, acaso tivesse no local a presença de uma autoridade municipal - como um guarda da prefeitura - atitudes de vandalismo como esta não poderiam ser evitadas!?

Como sempre, a prefeitura age com inércia. Literal ou metaforicamente, aquele terreno não era de responsabilidade dessa Casa. O problema é sempre do outro, não é? É por essas e outras que Duque de Caxias está a porcaria que está; a cidade não passa de um latão de lixo gigante que, de reforma em reforma, muda apenas as cores da lata. O que realmente permanece é a essência do chorume.

Vejam a reportagem publicada e a resposta oficial da prefeitura:


Se você for assinante do Jornal O Globo, veja a matéria diretamente no site clicando aqui.

sábado, 7 de agosto de 2010

Vandalismo e Intolerância em nome de Deus

Há tempos que penso em fotografar esta imagem e mandar para a imprensa! Hoje decidi enviar para a coluna Eu-Repórter, do Jornal O Globo... e sinceramente espero que publiquem. Trata-se de um muro pixado nas imediações da Avenida Presidente Kennedy, em Duque de Caxias, precisamente na passarela que dá acesso ao cemitério do Corte-Oito. Observem com atenção:


A presente pixação é um exemplo claro tanto da falta de limites dos evangélicos fundamentalistas quanto da inércia da prefeitura em zelar pelo patrimônio público!

O pixador ignora completamente que estamos em um país democrático e insinua que as possíveis velas colocadas naquele local por pessoas de religiões afro-brasileiras são destinadas ao diabo. É o descaramento da intolerância religiosa neste país, uma vergonha para a democracia brasileira, e o cúmulo da falta de respeito com a religião alheia!

Mas se o pixador fez uma pergunta, no mínimo ele aguarda uma resposta; e eu responderei: as velas se destinam a algum ser no plano espiritual que possa trazer luz ao espírito de porco que suja a cidade, e à prefeitura que ignora a imundície e o preconceito, deixando os seus cidadãos de bem à mercê da poluição visual, da discriminação e do desrespeito com a cidade e com a liberdade religiosa de seus moradores.

Não obstante, gostaria de provocar terminando esta postagem com uma contra-pergunta direcionada ao autor da 'obra-prima' do muro do Corte-Oito:

"Se seu Deus foi aquele que se fez homem e enquanto homem viveu como pobre, em quem se inspiram seus pastores e bispos ao lotarem os cofres de suas igrejas?"

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Sim, Jean Wyllys para Deputado Federal!

Não é a primeira vez que o Sai na Urina publica postagens relativas a política e a políticos. De Zito a Babu, os políticos anunciados eram sempre alvo de críticas e oposição.

Desta vez farei diferente. Minha menção à política - aqui partidariamente falando - é de apoio ao candidato Jean Wyllys, que está estreando neste meio através do PSOL, partido que tive a honra de colaborar para que nascesse.

Não sou favorável a proselitismo partidário, mas quando o que está em jogo são destinos de uma nação, é preciso que deixemos de lado nossa ingenuidade. E quando eu digo nação, não me refiro à projeção ufanista do Estado Brasileiro, mas à nação, ou às nações, que existe(m) dentro deste país... É preciso estarmos cientes de que a nossa tão amada NAÇÃO BRASILEIRA é formada de muitas outras nações, que infelizmente não são reconhecidas em seus direitos, a não ser pelo reconhecimento das obrigações tributárias, que é quando todos os cidadãos se tornam números de CPF, identificados pela quantia que devem entregar anualmente à boca do Leão.

Meu voto neste ano é para Jean Wyllys. Que tal apostar nesta ideia?
Conheça melhor este candidato através do site:
www.jeanwyllys5005.com.br
Valeu pela força!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Pare de Reclamar!

[rapidinhas+2009.jpg]

Minha amiga Fátima me mandou por e-mail e eu não resisti! Tive que divulgar no SAI NA URINA. Portanto, dedico esta postagem a todos aqueles que, sem ter o que fazer, resolvem atormentar a vida dos outros com a chatice de um ego ressentido e vitimizado. Espero que gostem! E se não gostarem, o azar é de vocês; vou fazer uma lista com os nomes dos que não gostarem e encaminharei ao 'Djalmão'!




Tá vendo? Conforme a gente vai conhecendo os problemas dos outros, percebemos que o nosso nem é assim, um problemãããão...

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Sem Pecado entre o Leblon e o Vidigal

http://4.bp.blogspot.com/_vL6s2wEMhBc/R_JFIC97SBI/AAAAAAAAAQI/7jL3gjqphbs/s400/pimenta.jpg

Ele fica na expectativa da data esperada. À tarde, sai mais cedo do trabalho e planeja comprar o presente que possa agradar a quem lhe quer bem. Sai às ruas e às compras e em meio à indecisão que é só sua, escolhe o agrado para felicitar sua caríssima-metade.

Vai pra casa, e como sempre se distrai em meio à liberdade que sua casa lhe confere. Brinca com o cão, que é seu filho, descansa e dorme. Quando acorda, faz uma leve refeição e se prepara para sair. No banheiro, antes do banho, faz os preparativos do limite da barba e de todas as demais regiões que apenas os mais instruídos sabem identificar a respectiva necessidade. Se banha e perfuma. Extrai os pelos que sobrepujam em seu corpo, porque assim bem lhe agrada.

Apressado, atrasado, sai de casa e abastece o carro e esquece o vinho. Na estrada, sente o estresse do trânsito e do tempo que em cada minuto se torna mais curto. O celular toca e ele atende. Justifica. Depois de quinze minutos, o celular é tocado, mas no outro extremo da linha. Explica. Segue. Desorienta-se depois do Rebouças.

Na marca de outros quinze minutos de tolerância ele chega. Telefona e espera. Abre a porta do carro e recebe uma mochila e uma sacola laranja. Neste momento, percebe que deveria ter levado o presente que comprara à tarde, mas este teria ainda que esperar dois dias para receber seu devido destino.

Dali partem para um restaurante. Conversam, conversam, conversam. Erram o caminho. Vão e voltam, dão um giro pela cidade e se reencontram no caminho de volta e chegam. No carro, ele recebe de presente a sacola e descobre que o presente era o resultado de um desejo manifesto em um desses passeios a Petrópolis em algum feriado religioso. Ali se beijam.

No restaurante, numa famosa rua das Laranjeiras, gozam das delícias da culinária japonesa, com um certo medo de parecerem alheios ao lugar. Percebem que o cupom do desconto era quase desnecessário, e arcam com a despesa sem o abatimento de dois reais da promoção do estabelecimento.

Fartos e satisfeitos, rumam à Avenida Niemeyer, e descobrem que o Vidigal é parte do Leblon e vice-versa. E que, embora separados pela denominação de bairros diferentes que possuem, são dois lados extremamente opostos da mesma moeda. E assim, depois de racionalizarem as diferenças sociais de um lugar e de outro, entram onde não existe pecado.

Lá, banham-se, escaldados por jatos de água quente que apimentam aquilo que o perfume da sacola laranja já prenunciara. O chuveiro quente logo se conflita com a cerveja gelada com a qual decidem brindar a data que para ambos é tão significativa.

Ao chegarem ao altar do desejo, deliciam-se com os filmes que não cabem em seu universo, senão para se rirem das cenas que para eles são tão obtusas. A hora avança e eles percebem que não há mais nada o que perceber, e decidem não mais adiar o que ambos os corpos desejavam. E se amam compulsivamente.

A madrugada cai sobre seus olhos e eles não percebem o dia que invade aquele lugar sem pecado com cheiro de chuva. O frio pede o calor do vapor d'água e então ambos resolvem desfrutar e relaxar na quente saleta apropriada para tal. E então um maldito telefone toca pra dizer que o tempo acabou.

Dali partem para o mirante e fotografam a paisagem como registro do dia que marcou para ambos os dois anos de sua história.

E a vida seguiu ao longo do dia, como se a manhã do Vidigal ou do Leblon não tivesse acontecido, como se aquele dia - sendo o mais atípico dos dias - brincasse de ser fantasia e eternizasse a noite anterior nas lembranças dos arquivos secretos guardados na memória e no coração.