sábado, 7 de agosto de 2010

Vandalismo e Intolerância em nome de Deus

Há tempos que penso em fotografar esta imagem e mandar para a imprensa! Hoje decidi enviar para a coluna Eu-Repórter, do Jornal O Globo... e sinceramente espero que publiquem. Trata-se de um muro pixado nas imediações da Avenida Presidente Kennedy, em Duque de Caxias, precisamente na passarela que dá acesso ao cemitério do Corte-Oito. Observem com atenção:


A presente pixação é um exemplo claro tanto da falta de limites dos evangélicos fundamentalistas quanto da inércia da prefeitura em zelar pelo patrimônio público!

O pixador ignora completamente que estamos em um país democrático e insinua que as possíveis velas colocadas naquele local por pessoas de religiões afro-brasileiras são destinadas ao diabo. É o descaramento da intolerância religiosa neste país, uma vergonha para a democracia brasileira, e o cúmulo da falta de respeito com a religião alheia!

Mas se o pixador fez uma pergunta, no mínimo ele aguarda uma resposta; e eu responderei: as velas se destinam a algum ser no plano espiritual que possa trazer luz ao espírito de porco que suja a cidade, e à prefeitura que ignora a imundície e o preconceito, deixando os seus cidadãos de bem à mercê da poluição visual, da discriminação e do desrespeito com a cidade e com a liberdade religiosa de seus moradores.

Não obstante, gostaria de provocar terminando esta postagem com uma contra-pergunta direcionada ao autor da 'obra-prima' do muro do Corte-Oito:

"Se seu Deus foi aquele que se fez homem e enquanto homem viveu como pobre, em quem se inspiram seus pastores e bispos ao lotarem os cofres de suas igrejas?"

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Sim, Jean Wyllys para Deputado Federal!

Não é a primeira vez que o Sai na Urina publica postagens relativas a política e a políticos. De Zito a Babu, os políticos anunciados eram sempre alvo de críticas e oposição.

Desta vez farei diferente. Minha menção à política - aqui partidariamente falando - é de apoio ao candidato Jean Wyllys, que está estreando neste meio através do PSOL, partido que tive a honra de colaborar para que nascesse.

Não sou favorável a proselitismo partidário, mas quando o que está em jogo são destinos de uma nação, é preciso que deixemos de lado nossa ingenuidade. E quando eu digo nação, não me refiro à projeção ufanista do Estado Brasileiro, mas à nação, ou às nações, que existe(m) dentro deste país... É preciso estarmos cientes de que a nossa tão amada NAÇÃO BRASILEIRA é formada de muitas outras nações, que infelizmente não são reconhecidas em seus direitos, a não ser pelo reconhecimento das obrigações tributárias, que é quando todos os cidadãos se tornam números de CPF, identificados pela quantia que devem entregar anualmente à boca do Leão.

Meu voto neste ano é para Jean Wyllys. Que tal apostar nesta ideia?
Conheça melhor este candidato através do site:
www.jeanwyllys5005.com.br
Valeu pela força!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Pare de Reclamar!

[rapidinhas+2009.jpg]

Minha amiga Fátima me mandou por e-mail e eu não resisti! Tive que divulgar no SAI NA URINA. Portanto, dedico esta postagem a todos aqueles que, sem ter o que fazer, resolvem atormentar a vida dos outros com a chatice de um ego ressentido e vitimizado. Espero que gostem! E se não gostarem, o azar é de vocês; vou fazer uma lista com os nomes dos que não gostarem e encaminharei ao 'Djalmão'!




Tá vendo? Conforme a gente vai conhecendo os problemas dos outros, percebemos que o nosso nem é assim, um problemãããão...

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Sem Pecado entre o Leblon e o Vidigal

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Ele fica na expectativa da data esperada. À tarde, sai mais cedo do trabalho e planeja comprar o presente que possa agradar a quem lhe quer bem. Sai às ruas e às compras e em meio à indecisão que é só sua, escolhe o agrado para felicitar sua caríssima-metade.

Vai pra casa, e como sempre se distrai em meio à liberdade que sua casa lhe confere. Brinca com o cão, que é seu filho, descansa e dorme. Quando acorda, faz uma leve refeição e se prepara para sair. No banheiro, antes do banho, faz os preparativos do limite da barba e de todas as demais regiões que apenas os mais instruídos sabem identificar a respectiva necessidade. Se banha e perfuma. Extrai os pelos que sobrepujam em seu corpo, porque assim bem lhe agrada.

Apressado, atrasado, sai de casa e abastece o carro e esquece o vinho. Na estrada, sente o estresse do trânsito e do tempo que em cada minuto se torna mais curto. O celular toca e ele atende. Justifica. Depois de quinze minutos, o celular é tocado, mas no outro extremo da linha. Explica. Segue. Desorienta-se depois do Rebouças.

Na marca de outros quinze minutos de tolerância ele chega. Telefona e espera. Abre a porta do carro e recebe uma mochila e uma sacola laranja. Neste momento, percebe que deveria ter levado o presente que comprara à tarde, mas este teria ainda que esperar dois dias para receber seu devido destino.

Dali partem para um restaurante. Conversam, conversam, conversam. Erram o caminho. Vão e voltam, dão um giro pela cidade e se reencontram no caminho de volta e chegam. No carro, ele recebe de presente a sacola e descobre que o presente era o resultado de um desejo manifesto em um desses passeios a Petrópolis em algum feriado religioso. Ali se beijam.

No restaurante, numa famosa rua das Laranjeiras, gozam das delícias da culinária japonesa, com um certo medo de parecerem alheios ao lugar. Percebem que o cupom do desconto era quase desnecessário, e arcam com a despesa sem o abatimento de dois reais da promoção do estabelecimento.

Fartos e satisfeitos, rumam à Avenida Niemeyer, e descobrem que o Vidigal é parte do Leblon e vice-versa. E que, embora separados pela denominação de bairros diferentes que possuem, são dois lados extremamente opostos da mesma moeda. E assim, depois de racionalizarem as diferenças sociais de um lugar e de outro, entram onde não existe pecado.

Lá, banham-se, escaldados por jatos de água quente que apimentam aquilo que o perfume da sacola laranja já prenunciara. O chuveiro quente logo se conflita com a cerveja gelada com a qual decidem brindar a data que para ambos é tão significativa.

Ao chegarem ao altar do desejo, deliciam-se com os filmes que não cabem em seu universo, senão para se rirem das cenas que para eles são tão obtusas. A hora avança e eles percebem que não há mais nada o que perceber, e decidem não mais adiar o que ambos os corpos desejavam. E se amam compulsivamente.

A madrugada cai sobre seus olhos e eles não percebem o dia que invade aquele lugar sem pecado com cheiro de chuva. O frio pede o calor do vapor d'água e então ambos resolvem desfrutar e relaxar na quente saleta apropriada para tal. E então um maldito telefone toca pra dizer que o tempo acabou.

Dali partem para o mirante e fotografam a paisagem como registro do dia que marcou para ambos os dois anos de sua história.

E a vida seguiu ao longo do dia, como se a manhã do Vidigal ou do Leblon não tivesse acontecido, como se aquele dia - sendo o mais atípico dos dias - brincasse de ser fantasia e eternizasse a noite anterior nas lembranças dos arquivos secretos guardados na memória e no coração.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Deus e o diabo na terra dos candangos

Deus e o diabo na terra dos candangos:
O debate sobre o Estatuto das Famílias na CCJ da Câmara Federal
Por: Ricardo Pinheiro




Um debate bastante polarizado dominou o clima da audiência pública sobre o Estatuto das Famílias na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) na quarta-feira passada, 12/05/2010, em Brasília, reconhecida pela cultura local como a terra dos Candangos. O Estatuto engloba diversos projetos de lei (PL 674/07 e 2285/07, entre outros) e, em alguns deles, existe a regulamentação da união entre pessoas do mesmo sexo e da adoção feita por esses casais.


Críticos e defensores da união civil de homossexuais colocaram seus argumentos diante do plenário lotado, onde evangélicos contrários à união de pessoas do mesmo sexo estavam em maioria.


Para tentar chegar a um acordo, o presidente da CCJ e relator do Estatuto das Famílias, deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS), disse que diante de tantas diferenças e dúvidas, vai tentar encontrar um meio termo. Hã? “Meio termo”? Não me peçam pra imaginar o que poderá sair desse estatuto franksteinizado...


Para o presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais, Toni Reis, não se trata de casamento, mas sim de garantir direitos civis. "Envolve essa questão da herança, de planos de saúde, de adoção. Nós queremos nem menos nem mais, queremos direitos iguais. Nós não queremos é o casamento, nesse momento não é a nossa pretensão. O que nós queremos são os direitos civis".


Toni Reis citou declarações das organizações das Nações Unidas (ONU) e dos Estados Americanos (OEA) para defender o direito ao reconhecimento da união civil e da adoção entre pessoas do mesmo sexo. Ele destacou que o Governo Lula também apoia a reivindicação e mencionou o programa Brasil sem Homofobia, coordenado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. "O Brasil é um Estado laico e queremos o que a Constituição preconiza, direitos civis", argumentou.


O pastor da Assembleia de Deus, Silas Malafaia questionou se outros comportamentos poderiam, futuramente, virar lei. "Então vamos liberar relações com cachorro, vamos liberar com cadáveres, isso também não é um comportamento?" O pastor foi muito aplaudido durante sua exposição. Malafaia afirmou que conceder os diretos civis é a porta para depois aprovarem o casamento. Ele defendeu que a família é o homem, a mulher e a prole, sendo que a própria Constituição defende esse desenho familiar.


Na mesma linha crítica, o pastor da Igreja Assembleia de Deus, Abner Ferreira afirmou que o Estatuto das Famílias seria, na verdade, o Estatuto da Desconstrução da Família. Segundo ele, ao admitir a união de pessoas do mesmo sexo, a proposta pretende destruir o padrão da família natural, em vez de protegê-la. Ele disse que todas as outras formas de família são incompletas e que toda manobra contrária à família natural deve ser rejeitada.


A vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família, Maria Berenice Dias, afirmou que o fato de a Constituição proteger a união entre homem e mulher não significa que uniões homoafetivas também não possam ter direitos na esfera civil.


Ela avaliou que o debate foi para a esfera ideológica. "Estou sentindo nesse espaço um clima de muito medo, de muito revanchismo, pouco técnico, pouco científico, pouco preparado”, observou. “As pessoas estão se deixando dominar por posições religiosas muito ferrenhas, e confesso que não sei porque têm medo que simplesmente se assegure direitos aos homossexuais, se assegure a crianças terem um lar", acrescentou.


Maria Berenice Dias citou decisão recente do Superior Tribunal de Justiça, que reconheceu a adoção feita por duas mulheres, e afirmou que a união homoafetiva não ameaça a família. "Argentina, Uruguai, México e Canadá são alguns dos países que reconhecem essas uniões. Quem conhece esses lugares sabe que, por lá, a família vai muito bem, obrigada", disse.


No sítio da Câmara Federal [Agência Câmara de Notícias] do dia 12 de maio de 2010 é possível ver como o assunto mexe com os ânimos da fé de muitos – isso mesmo, a coisa está sendo reduzida à esfera religiosa! -, pois os comentários postados pelos internautas reproduzem o quantitativo de opiniões sob a mesma vertente ideológica. Os mais recentes comentários diziam, entre outras coisas:


“Uma coisa é respeitar o homossexual e não ter preconceitos quanto à sua opção sexual, assim como fazemos com os fumantes no tocante à opção de fumar, ninguém deve discriminá-los. Outra coisa é dizer que o fumo faz bem à saúde. Respeitar as opções não quer dizer que todas as opções sejam iguais. A opção de não fumar é melhor que a de fumar e a opção heterossexual é melhor que a homossexual”, assina Bruno.


“Definitivamente essa proposta de regulamentar a união de homossexuais é uma desonra aos preceitos da palavra de Deus para o homem e a mulher pois contraria e se opõe à santidade do nosso Deus”, assina Robervanda.


Um tal de Vanderlei foi mais tirânico, pois disse: “Vivemos na democracia. Em outras palavras, a maioria do povo governa ou decide como deve ser o governo. As minorias devem acatar o que a maioria determinar. Este é o princípio básico da democracia. Existem países que não existe a democracia. Será que lá é melhor?”.


Daí, pergunto: vivemos num país ideal no qual as pessoas são respeitadas por aquilo que são ou vivemos num país do “ainda-não” em que se é necessário lutar com as armas da cidadania plena para o respeito à dignidade da pessoa humana? Sim, pois é preciso avisar aos desavisados que homossexualidade não é “opção”, ou seja, não é escolha de ninguém em sã consciência psíquica sofrer diante de um padrão heterossexista, o ter que passar por esse achincalhe ou, para os que se curvam ao letrismo dos dogmas de natureza moral e tirânica, o padecer pela escravidão ao medo da danação eterna!


Os debates, obviamente, ainda não levaram a muitos passos dado o abismo entre as posições suscitadas. De qualquer forma, ficam aqui as implicações sobre o cenário dos fatos que se discute em nosso Parlamento. Vale a pena ficar calado e permitir que a omissão seja a chave para abrir as portas do retrocesso no campo das relações sociais e jurídicas existentes? Ou será que alguém duvida das manobras articuladas pelos segmentos fundamentalistas religiosos junto aos seus pares eleitos graças aos seus “e$forço$” eleitoreiros?


Na semana passada assistimos chocados ao acinte da malta dos perversos transfigurados em defensores da família [a família na obsolescência do entendimento deles!], comparando comportamentos qualificados como doenças ou distúrbios psíquicos pela OMS e as orientações sexuais. Sim, a disseminação do mal foi tão acintosa e certa de impunidade que ousou verborragiar a estupidez sem máscara alguma: gays e pedófilos, gays e necrófilos, gays e zoófilos foram assemelhados na cara dura diante de uma Comissão de Constituição e Justiça! A arrogância de um deles, aplaudida pela maioria ortodoxa religiosa ali presente, foi tanta que deu seu recado às lideranças partidárias, trazendo o debate para o contexto político das eleições presidenciais:



"Eu ouvi os homossexuais fazerem aqui pronunciamentos dizendo que o presidente os indicou para a ONU, que o presidente os apoia totalmente, então nós evangélicos, que representamos 25% da população, temos que pensar muito bem em quem vamos votar para presidente da República", avisou do alto de sua insolência o suposto porta-voz de ¼ do eleitorado nacional.


Que ninguém me entenda mal, tenho lá minhas convicções de ordem religiosa, as quais me inspiram à coexistência pacífica com todos os meus confrades [de todos os credos ou não], mas justamente porque amo os princípios pacificadores que são a essência da Igreja [aqui entendida não como termo com referência a qualquer institucionalização, mas apenas como categoria dos que são "chamados para fora" [1] do arbítrio dos deuses “Poder” e “Glória”], é que não engulo os ideais ensimesmados e absolutistas da "igreja evangélica". Sim, não engulo porque não reconheço nela – nem de longe, nem como sombra ou sereno – as marcas amorosas e portanto revolucionárias daquele que se diz o seu “inspirador”, conforme leio nos Evangelhos. Creio que somente quando o que está aí passar por uma desconstrução é que a Igreja terá chance de renascer no Brasil.


Entretanto, à vista daquilo a que todos assistimos na CCJ da Câmara, cabe-me a retórica da pergunta inspirada numa das letras do saudoso profeta cantador Renato Russo: "Que país é este?". Que país é este que nega direitos aos seus cidadãos, que faz do mais nobre Palácio das Leis neste solo um palco para “panem et circenses”, conforme nos inspiram os versos das Sátiras de Juvenal? Que país é este que transforma um debate sério num solilóquio moral-religioso desses “diabólós” [2] que fazem da fé uma bandeira política?


É pra se pensar, prezados cidadãos de bem e consortes amantes da democracia. Porque parado nem mesmo os modelos tradicionais de família em sociedade não ficam mais! Não me lembro neste instante, mas acho que o nome que se dá a isso é evolução natural das coisas. É, deve ser isso. Evolução natural. Na próxima audiência pública, não poderemos esquecer de levar isso para os “diabos-acusadores” quando emergirem lá no centro da terra dos Candangos.



Por ora, à lei e ao amor! Xô, Satanases [3]!


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(*) Texto adaptado da reportagem de Daniele Lessa no sítio da Câmara Federal, “Religiosos, juristas e ongs divergem sobre união civil gay”, de 12/05/2010.

[1] Do original grego "ekklésia", ou seja, os "chamados para fora".

[2] Do original grego, “acusador” ou “acusadores”, "opositor", "o que lança através ou por intermédio de". Diabo.

[3] Do original grego, Satan, ou seja, "adversário".