quinta-feira, 9 de abril de 2009

O aperto do Cascão, da tampinha e do namoro


Quem não gosta de uma rapidinha, não é?!

Que ótimo, pois aqui tem três! ...e quentinhas, para alegrar a aura e aquecer a vida:


Primeira rapidinha:


Segunda rapidinha:



Terceira rapidinha:


E aí, deu pra esquentar?

sábado, 28 de março de 2009

A Cidade Intransitável, São João de Meriti, RJ.

Caros colegas internautas e blogueiros,

Quero compartilhar com vocês uma sensação esplêndida que aconteceu comigo esta semana que passou.
Como vocês sabem, há alguns meses faço o caminho Caxias-São João de Meriti com uma certa frequência! rs... em um determinado trecho, o descaso público, a incompetência da prefeitura e, de quebra, a água das chuvas de verão, juntos, contribuíram para que uma das principais artérias da cidade se tornasse intransitável. Dezenas, senão centenas, de buracos enormes tomaram conta de uma avenida cujo espaço virou palco de verdadeiros shows de malabarismo a quatro rodas.

Indignado com a situação, resolvi fotografar a situação drástica e enviei para o jornal O Globo, para a coluna Eu-Repórter e... não é que publicaram? Mas essa não é a melhor parte! O melhor é que no dia seguinte a prefeitura estava exatamente no local fotografado com uma mega-operação tapa-buracos. Asfaltaram a localidade e, por tempo indeterminado, disfarçaram a timidez de seu trabalho medíocre. Se foi por conta da publicidade que ganhou o fato ou não, eu não sei. Fato é que isso me deixou bastante entusiasmado, empolgado e esperançoso, quase certo de que neste país, neste estado, nesta(s) cidade(s), a voz do povo ainda pode ser a voz de Deus.

Segue abaixo reportagem no site dO Globo. Para quem quiser conferir a matéria diretamente no site, clique no título ou nas fotos.

Mar de buracos no bairro Jardim Sumaré

Fotos enviadas pelo leitor Leandro Rosetti de Almeida

"A cidade instransitável", este deveria ser o título de São João de Meriti, na Baixada Fluminense. A cidade, que já é exemplo do descaso público e da falta de compromisso de seus governantes, padeceu neste verão com as chuvas e seus efeitos sobre o seu quase-asfalto. O resultado são centenas de crateras abertas em vias públicas, em rotas importantes de ônibus intermunicipais, de acesso a shopping centers, postos de saúde e escolas. É impossível ir de um extremo ao outro da cidade sem passar pelo caos asfáltico que danifica dezenas de automóveis todos os dias, que acumula água da chuva no solo, e colabora para a falta de segurança aos motoristas, que são obrigados a praticamente parar o automóvel e realizarem verdadeiros malabarismos em quatro rodas, sob a escuridão de ruas pouco ou não-iluminadas e inseguras. As imagens desta reportagem denunciam o descaso público com a cidade e flagram ônibus e automóveis disputando uma esquina nas proximidades do bairro Jardim Sumaré, no sub-bairro "Trezentos", na Avenida Miguel Couto, onde os buracos e os acidentes já fazem parte da composição da paisagem de uma avenida que liga São João de Meriti ao centro da cidade de Duque de Caxias. O destaque vai para uma kombi que, tentando driblar a enchente ocasionada pelas chuvas do dia anterior, tentou subir na calçada e acabou caindo, em pleno domingo, Dia Mundial da Água, em uma cratera gigantesca, de onde não conseguiu mais sair até, pelo menos, a madrugada do dia 23/03/09.

Fonte: Jornal O Globo


Grande abraço e bom fim de semana a todos.

Leo Rosetti

quinta-feira, 12 de março de 2009

À Santa Madre Igreja (abaixo-assinado)

À Santa Madre Igreja

"Se para merecer os sacramentos católicos tenho que concordar com a morte de uma criança de nove anos, grávida por estupro, porque a Igreja Católica acha que é crime espiritual o aborto para salvar sua vida, mesmo que ela morra com as crianças que espera; e, também, com a excomunhão arbitrária daqueles que o praticaram para salvá-la; se tenho que assistir os padres pedófilos serem absolvidos pelo silêncio do Vaticano, e nada, absolutamente nada acontecer com eles; se tenho que concordar que aborto seja um fato pior do que o estupro, mais “pecaminoso”... ENTÃO, ME EXCOMUNGUE "


Para assinar o abaixo assinado mande uma mensagem
com
seu NOME e E-MAIL para
entaomeex
comungue@gmail.com


Eu já enviei o meu e-mail! Se você concorda com essa bandeira, faça também sua parte! Se a gente não se movimenta, cai no poder da inércia e da indiferença. O que será da Igreja se todos os seus fiéis começarem a pedir a excomunhão???

Mais do que religioso, este abaixo-assinado é um ato de cidadania! Pense nisso.

Maiores informações: www.emdiacomacidadania.com.br

quarta-feira, 11 de março de 2009

No Brasil, o perigo está no 'bem'

Texto de Arnaldo Jabor, publicado no Jornal "O Globo" em 10 de março de 2009.

Não sou fã deste cronista, mas esta crônica, em especial, merece destaque pela relevância e pertinência com a qual trata deste assunto que tanto nos deixou, a todos nós brasileiros, indignados e envergonhados.


No Brasil, o perigo está no 'bem'

Arnaldo Jabor

Lá do fundo da Idade Média o arcebispo de Olinda e Recife, Jose Ribeiro Sobrinho excomungou uma família e os médicos que fizeram um aborto em uma menina de 9 anos estuprada pelo padrasto e grávida de gêmeos. E o estranho ser togado de arcebispo ainda boquejou: "A Lei de Deus está acima da Lei dos Homens." Ou seja, a Santa Joana D'Arc foi queimada viva pela lei de Deus. A inquisição foi Lei de Deus, com milhares de horrendas torturas feitas sob as bênçãos de um Deus cruel? Espantosamente, o Vaticano, nos últimos dias, apoiou a decisão desse arcebispo

medieval de Olinda e Recife. Isso me lembra outro prelado idiota que uma vez excomungou um juiz que autorizou o aborto de um feto descerebrado e falou sobre o estupro: "Os filhos de mulheres estupradas devem nascer e serem educados pela Igreja, como órfãos infelicitados." Talvez fosse essa a pior desgraça, o sinistro destino para uma criança: "Quem é você?" "Eu sou o filho do Motoboy assassino, educado pelo arcebispo Jose Ribeiro Sobrinho."

É espantoso o descompasso da Igreja Católica com os tempos atuais, justamente quando a História está de novo tão cruel, quando nós precisamos tanto de doçura, tolerância, que não é dada por este papa Bento XVI, de olhos frios e inquisitoriais. Ele foi vacilante com o bispo maluco que negou o Holocausto, como sendo um lero-lero de judeus, foi evasivo com os pedófilos religiosos da América, é contra os anticoncepcionais, contra as homossexuais, contra tudo. Daí o sucesso dos canalhas que inventaram os Bancos de Dízimos e os supermercados da Fé.

No mundo inteiro há uma reviravolta ética, um maniqueísmo ao avesso, um cinismo que nos habitua ao inaceitável. Bush, a besta quadrada do apocalipse, jogou o mundo no caos, em nome de Deus. Enquanto isso, em nosso mundinho brasileiro, na aliança do governo Lula com os mais nefastos canalhas, vemos uma inversão do mal em bem. O bem do Brasil (leia-se Lula) tem de passar pela aliança com os escroques para atingir um bem futuro de uma sociedade mais justa (leia-se 2010). Aliou-se ao PMDB - o mal da hora -, na sua maioria filhos do pior patrimonialismo nordestino, essa pasta feita de bigodes, cabelos pintados, focinhos vorazes, gargalhadas boçais e salivantes, inimigos antigos se beijando. Pode até ser que isso possa ser um bem a longo prazo alertando-nos para o óbvio: é preciso reformar a política no País.

Como se sentem, diante dessa aliança, os intelectuais que tanto apoiaram o PT, os bondosos de carteirinha, os cafetões da miséria, os santos oportunistas? Pela lógica "revolucionária", eles não justificavam todas as sacanagens pela utopia de um futuro, por uma pureza maior herdada do socialismo?

Na época da Guerra Fria era mole. Contra todas as evidências (Hungria em 56, Praga em 68), o mal era o capitalismo e o bem, o socialismo. Agora, com a crise, está de volta este simplismo criminoso. Aquele picareta exibicionista do Slavoj Zizek já está inventando um stalinismo renovado, como vereda para a verdade luminosa. Tentamos inventar um mal separado do bem, mas está tudo misturado.

E essa bolha maldita que enriqueceu o mundo em dez anos e depois derrubou tudo? O bem financeiro virou o mal? Está difícil entender. Durante a ditadura, éramos o "bem". O mal eram os milicos. Acabou a dita e as "vítimas" (dela) pilharam o Estado.

O bem está virando um luxo e o mal é quase uma necessidade social. Sem participar um pouco do mal, não conseguimos viver. Como ser feliz olhando as crianças famintas? Temos de fechar os olhos. A felicidade é uma virtude excludente. Ser feliz é não ver. O mal está virando um mecanismo de defesa. Quem é o mal: o assaltante faminto ou o assaltado rico? Ou nenhum dos dois? Como praticar o bem? Apenas se horrorizando com o mal? O que é o bem hoje? É lamentar tristemente uma impotência, é um negror melancólico?

O Mal é sempre o outro. Ninguém diz, de fronte alta: "Eu sou o mal!" Ou: "Muito prazer, Demônio de Almeida."

Até o homem-bomba se acha o bem, pois sua missão é destruir a modernidade, e para a razão da tecnociência eles são o mal porque incompreensíveis. O mal no mundo hoje é o "incompreensível".

Nem um "bem" tradicional se sustenta mais, vejam o arcebispo excomungante e o papa burocrático.

Todo pensamento aspira à totalidade. O bem é um desejo de harmonia, de Uno, de totalidade ou o bem é suportar heroicamente o incontrolável, a falta de esperança, a impotência ?democrática??

Hoje, com a queda das utopias, a razão tenta se adaptar ao absurdo pós-moderno. Mas, ao denunciar o Mal, vivemos dele. Eu mesmo ganho a vida denunciando o que acho "mal". Quem controla o mal? A verdade é que o mal está entranhado na matéria profunda do mundo. A verdade é que fomos construídos nessa dialética louca entre tragédia e harmonia, entre guerra e paz e isso é incontrolável.

Muitas vezes na história o "bem" foi devastador. Nietzsche escreveu em sua obsessão de libertar o homem: "Foram os espíritos fortes e os espíritos malignos, os mais fortes e os mais malignos, que obrigaram a natureza a fazer mais progressos." (in Gaia Ciência).

No Brasil, o mal não é épico, como falou Nietzsche, referindo-se, claro, à solidez estúpida da metafísica e da religião. No Brasil, o que nos assola é o pequeno mal, enquistado nos estamentos, nos aparelhos sutis do Estado, nos seculares dogmas jurídicos, nos crimes que são lei. O mal aqui está nos pequenos psicopatas que, quietinhos, nos roem a vida.

O mal do Brasil não está na infinita crueldade dos torturadores ou das elites sangrentas; está mais na sua cordialidade. Aqui, o perigo é o Bem.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Carnaval: dentro de cada um, o bem e o mal.


É carnaval!

Para muitos a folia já se iniciou... este ano estou muito mais ameno e pacato que nos anteriores. Desde a minha infância eu nunca fui lá muito fã desta festa, confesso. Entretanto, de uns seis anos para cá, este período festivo passou a fazer parte de minha vida de uma maneira muito especial.

Para muitos que me perguntaram, respondo: Não, não vou desfilar este ano em nenhuma escola de samba. E infelizmente não estarei no Galo da Madrugada hoje, como estive ano passado, no sábado de carnaval no Recife.

Aliás, meu sábado de carnaval está como se não fosse. Mas não está sendo ruim. Estou lembrando através de fotos todos os meus anos de folia que esta festa me proporcionou, desde que a auto-aceitação se tornou uma etapa concreta no meu caminhar. Talvez por isso, minha paixão pela folia passou a ter um caráter quase que científico, carente de estudo, digamos assim.

Por isso me impressiona esta festa, que é loucura para muitos. Quantas vezes não ouvi na minha infância que carnaval era coisa do diabo. Se não fosse do Capiroto, de Deus é que não seria mesmo! Tanta conversa fiada jogada fora, poupando-me anos de folia desperdiçados.

A associação do carnaval com o diabo já é coisa antiga, mas a ênfase, sem dúvida, é um tanto recente, parte dessa loucura toda que é o neopentecostalismo. A proposta da festa se manteve desde que ela surgiu: extravagância! Deixar correr solto, liberar-se, explodir, desregrar, inverter! Essa semana comentei com meus alunos sobre Dionísio, o meu deus grego favorito. Um exímio admirador do néctar mais saboroso do Olimpo, o de uva! Deus do vinho e do teatro, consagrado pela irreverência, pela embriaguez e pela festividade! Os gregos eram muito felizes nesse sentido, porque pra eles toda o exagero dionisíaco era perfeitamente cabível com a lucidez de Atena, a deusa da sabedoria.

É incrível como não aceitamos que dentro de nós existe o correto mas também o errado, o bêbado e o sóbrio, o louco e o são. Criamos um mundo esquizofrênico, muitas vezes respaldado por um discurso medíocre e pseudo-cristão que, em nome de uma santidade atribuída a cada um, estamos "libertos", "resgatados do mundo", "santos" (no sentido mais pobre da palavra). E isso acaba significando uma série de condutas que não condizem com a nossa natureza humana, as condutas da negação: "Não pode fazer isso", "não pode fazer aquilo", como se só a vontade de fazer a dita coisa já não fosse um sinal evidente do desejo que se move no interior da alma. Metáfora da humanidade, a mitologia grega deixa clara e evidente a humanidade que há em cada um de nós: não há perfeitos! Cada um de nós traz consigo uma gama de valores, um rol de sentimentos, onde o que reina não é apenas o amor-fantasia. Diferente dos gregos, não reconhecemos o nosso "eu" que emerge no carnaval. Lá na Grécia, o cidadão que bebia todas nas festas de Dionísio era o mesmo cidadão, em essência, que adentrava o Partenon na Acrópole, dedicado a Atena, símbolo da sabedoria e da lucidez. Aqui, a coisa é diferente. Só existe um ser em essência; o que acontece no carnaval ou é visto como erro, ou como influência do demônio. É coisa de fevereiro e pronto! Não acontecerá mais no resto do ano.

Falta a muitos de nós assumir esse lado obscuro e humano, o que é muito mais complicado, porque isso significa um esforço que muitas vezes não estamos dispostos a dedicar. Assumir que falhamos ou, pelo menos, que podemos ser água ou vinho, implica diretamente no esforço do perdão, do arrependimento, da humildade, do reconhecimento do outro, do respeito mútuo, da sinceridade, enfim. É mais fácil fingir a perfeição! Quem é certinho não precisa pedir perdão a ninguém, pois a ninguém nada fez, a ninguém magoou, a ninguém feriu... Será por isso que o carnaval faz tanto sucesso neste país? Um Brasil que vive o ano todo posando de bom moço para inglês ver, fazendo cerimônia, bancando o correto e o sensato. Com tanta máscara no dia-a-dia, não é de se estranhar que em meio a tantas de carnaval, caia a da hipocrisia.

Acho que por isso não estou muito em clima de carnaval esse ano: tenho aproveitado como um pierrô todos os meus dias, bons e maus. Quero muito me divertir, mas este ano minha euforia está bem mais amena no carnaval. Mas logo deve passar, e há de passar, porque tenho direito aos meus momentos dionisíacos.

Mas estes momentos hão de ser intensos, na medida da intensidade que vivenciei durante todo o ano. Porque em essência, sou o mesmo, no carnaval ou no natal. O que quer que eu faça em um período, não justifica, por si, não realizar no outro. Santo e puto podem conviver lado a lado, porque essa é a graça de ser humano.

Essa é minha grande admiração pelo carnaval: menos o fato do exagero que o período traz e mais a capacidade que a festa tem de demonstrar a diversidade humana, em todos os seus aspectos. Trata-se da possibilidade de presenciarmos nas ruas da cidade os muitos "nós" que a gente tem. E, quer em ritmo se samba ou de frevo, ao som do tamborim ou do maracatu, homens e mulheres podem ser o que são. Mas, melhor que isso, podem experimentar o prazer de ser o outro. Descobrir ser o outro pode ser uma grande lição para o resto do ano. Um exercício de alteridade, advindo quiçá de uma máscara, de um clóvis, de um adereço ou de um esplendor! Ser quem não se é. Taí! Quem sabe assim não descobrimos o quanto de mulher ou homem, de anjo ou demônio, de santo ou puto, de hétero ou homo, de Dionísio ou Atena, de pierrô ou colombina, há em cada um de nós. E assim, tal qual um espetáculo teatro - não em vão, a arte mais completa e bela de todas, grega na origem e universal na repercussão - aprendamos com cada um dos personagens que todos, aliás todos e todas, somos capazes de viver em cada minuto do espetáculo que estrelamos neste grande palco que é a Vida.